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Perda de urina e dificuldade de ereção após a prostatectomia radical tem tratamento?

Perda de urina e dificuldade de ereção após a prostatectomiaIncontinência Urinária e Disfunção Erétil são dois sintomas comuns que pacientes submetidos a prostatectomia podem apresentar no período após a cirurgia. Assim, leia o artigo para saber mais sobre estes sintomas e entender de que forma a fisioterapia pélvica atua no tratamento.

O avanço da medicina associado a maior conscientização da importância do cuidado da saúde por parte dos homens têm resultado em um aumento no diagnóstico precoce do câncer de próstata. Segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de próstata é o segundo câncer mais comum entre os homens.

Após o diagnóstico do tumor na próstata, um dos procedimentos que o urologista pode optar é a cirurgia para retirada total da próstata: a prostatectomia radical.

De acordo com o Portal da Urologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), esta cirurgia pode ser realizada de três formas: Cirurgia Aberta, Laparoscópica ou Robótica.

O cuidado principal do procedimento deve ser a retirada total do tumor com segurança. Porém, cada vez mais a equipe de saúde se preocupa também com a qualidade de vida do paciente após a cirurgia.

Apesar do avanço das técnicas cirúrgicas, ainda é comum homens submetidos à prostatectomia radical apresentarem dois sintomas no período pós-operatório: a incontinência urinária e a disfunção erétil.

Dessa maneira, pensando nas possíveis dúvidas dos pacientes, preparamos este artigo com o objetivo de explicar cada um destes sintomas após a cirurgia e seu tratamento através da fisioterapia pélvica.

Depois de ler o artigo você também pode assistir uma série de vídeos que o Dr Juliano gravou sobre fisioterapia pélvica após a cirurgia da próstata.

Incontinência Urinária após Prostatectomia

Após a retirada da sonda é comum pacientes apresentarem dificuldade para controlar a urina. Este sintoma tende a diminuir com o tempo de cirurgia. Porém, em determinados casos permanece por até mais de 6 meses após a prostatectomia.

 

Disfunção Erétil

Outro possível sintoma após a prostatectomia é a dificuldade de ereção. A quantidade dos estudos de como preservar os feixes vásculo-nervosos da região aumentou. No entanto, este sintoma ainda é bastante comum.

Para ajudar na explicação de como a fisioterapia pélvica pode atuar na incontinência urinária e na dificuldade de ereção após a prostatectomia radical, o Dr Juliano Silveira respondeu à algumas perguntas, Ele é fisioterapeuta pélvico e responsável pelo setor de pós-prostatectomia da Clínica Urobecken.

 

Porque pacientes submetidos à prostatectomia radical podem apresentar incontinência urinária e disfunção erétil?

“A técnica cirúrgica tem evoluído bastante nos últimos anos, incluindo a possibilidade de ser realizada de forma robótica. Porém, a localização da próstata é uma dificuldade. Durante o procedimento, é comum não ser possível preservar algumas estruturas importantes. Entre elas podemos citar o esfíncter interno da uretra. Ele é importante para a contenção da urina, e “tramas” nervosas e vasculares, importantes para a fisiologia da ereção.”

De que forma a fisioterapia pélvica pode tratar a incontinência urinária nestes pacientes?

“Como comentei na pergunta anterior, o esfíncter interno da uretra é normalmente lesionado durante a cirurgia. Isso faz com que aumente a demanda de trabalho do nosso segundo mecanismo de contenção de urina em um nível mais inferior. Este segundo mecanismo é um músculo voluntário, ou seja, temos controle sobre ele. A Fisioterapia pélvica possui recursos para facilitar o reconhecimento assim como o fortalecimento dessa musculatura antes pouco utilizada.”

Quais seriam estes recursos?

“Uma avaliação minuciosa com a história clínica, queixas e exame físico é muito importante para definir quais serão os recursos utilizados para cada paciente, mas podemos citar Eletroestimulação, Biofeedback, Cinesioterapia Perineal, Vacuoterapia, entre outros.”

O paciente pode realizar o exercício de contração dessa musculatura em casa?

“Com certeza, pode e deve! Os exercícios de Kegel são importantes no tratamento e a fisioterapia pélvica irá potencializar e muito estes exercícios. Além disso, a orientação para a realização correta é crucial. Recebemos muitos pacientes na clínica que realizam o exercício fazendo a contração de forma equivocada. Eles contraem as nádegas, as coxas, a barriga e não o Elevador do Ânus. Este é o principal músculo do assoalho pélvico e o único que deve ser contraído durante o exercício.”

Existe algum recurso da fisioterapia focado em avaliar se o paciente está contraindo a musculatura de forma eficaz?

“Sim, o Biofeedback. Este aparelho conta com um sistema que realiza a captação da atividade muscular e transforma em gráfico. Assim, o paciente e o fisioterapeuta podem acompanhar e quantificar a contração da musculatura desejada na tela do computador. O Biofeedback é sem dúvida um dos principais aparelhos da fisioterapia pélvica.”

E em relação à função sexual? a fisioterapia pélvica pode colaborar?

“O controle de urina é importante para a motivação do retorno às atividades sexuais. Já os exercícios e aparelhos da fisioterapia pélvica colaboram para a manutenção de fluxo sanguíneo na região. Um dos equipamentos utilizados é o aparelho de vácuo. Através dele, o paciente tem uma ereção mecânica (não fisiológica) que pode ser importante para manutenção de fluxo no pênis e prevenção de fibrose. Em condições normais, o homem apresenta algumas pequenas ereções involuntárias que fazem este papel. Porém, em muitos casos, isto não acontece no período após a cirurgia. É importante ressaltar que o urologista é o profissional responsável por avaliar a necessidade do uso de medicamento neste período. Em hipótese alguma a fisioterapia pélvica visa substituir, mas sim auxiliar no tratamento medicamentoso.”

Por fim, perguntamos ao Dr Juliano o que a Clínica Urobecken tem de melhor para oferecer aos pacientes que estão enfrentando esta situação. A resposta foi surpreendente!

“com toda certeza é empatia! Empatia mesmo! Eu tenho os aparelhos mais modernos disponíveis na clínica, Biofeedback Eletromiográfico, Biofeedback Manométrico, Gameterapia, tudo… Mas eu sempre comento com meus pacientes, não adianta utilizar a melhor técnica do mundo se o paciente não aderir ao tratamento. Olhar no olho do paciente, escutar as queixas com calma, respeitar a individualidade e o momento de cada um vai além da teoria. Na minha opinião, esse é o caminho!”
 
Dr Juliano Silveira
Dr Juliano Silveira
Diretor da Clínica Urobecken, Mestre em Fisiopatologia Clínica e Membro da Associação Brasileira de Fisioterapia Pélvica.

Outra dúvida de pacientes submetidos à prostatectomia muito comum no período pós-operatório é em relação ao uso de fraldas ou absorventes masculinos. Por isso preparamos o artigo “Absorvente para Incontinência Urinária, Qual usar?”

 Se alguma outra dúvida sobre fisioterapia pélvica não foi esclarecida no artigo, pode deixar nos comentários ou então mandar para o whatsapp da clínica.

O primeiro passo para o sucesso do tratamento é a busca de informação.

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