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Sim, eu Tenho Vulvodínia!

A Vulvodínia é uma das principais causas de dor vulvar. Mesmo assim, meninas costumam ter dificuldade de encontrar depoimentos e relatos de outras meninas que sentem os mesmos sintomas. Esse cenário vem mudando graças à mulheres especiais que decidiram quebrar o tabu de falar sobre dor na relação (dispareunia) e contar sua história para ajudar outras mulheres que estão passando pela mesma situação.  

É com muita gratidão que hoje abrimos espaço para ela que é uma das responsáveis por essa vitória: Amanda Brites, uma das autoras do Blog Sim, eu tenho vulvodínia! 

Sim, eu tenho vulvodínia. relato de Amanda Brites sobre dor na relação, busca de tratamento e a experiência de ser mãe

Sim, eu Tenho Vulvodínia!

Oi! Me chamo Amanda Brites e descobri que tenho vulvodínia em 2014, mas antes disso passei por momentos muito difíceis e solitários. As dores pioraram no ano de 2013 ao ponto de, além de ter dores na relação sexual, não conseguir enxugar o xixi nem me lavar direito. Eram dores insuportáveis e eu sentia o tempo todo em toda minha vulva, era como se tivesse um corte ali que não existia. Existia só a dor de um corte invisível.

Ínicio das dores na região da vagina

Mas essas dores não começaram nesse ano, desde criança eu me queixava de dores e eram tratadas como cistite (que eu realmente tinha sempre) e elas passavam e voltavam, quando eu andava de bicicleta sentia muita dor mas não falava a ninguém por achar que era algo normal. 

Procurei ajuda médica por sentir pontadas e queimação

Em meados de 2013, antes de fazer 17 anos, procurei ajuda médica quando as dores chegaram nesse ponto e eu também estava com uma infecção que foi tratada com remédio e pomadas, mas a sensação de cortes, pontadas e queimação nunca passaram. Fui nela só duas vezes e como as dores não passaram fui em outra mais perto de casa. Nessa nova médica ouvi de tudo, cheguei a ir nela toda semana de tão desesperada com a dor, ela sugeriu psicólogo, sugeriu que eu relaxasse, que eu tomasse vinho (além de não resolver o problema, eu ainda era menor de idade) e chegou certo ponto que ela não tinha mais paciência comigo. 

Na maca ela era totalmente grossa me mandando relaxar porque ia quebrar o espéculo e eu estava morrendo de dor ali. Na última consulta ela deixou bem claro que não sabia o que eu tinha e sugeriu que fosse coisa da minha cabeça! Saí de lá sem chão e durante todo esse tempo eu me sentia muito diferente das outras meninas, foi o pior ano da minha vida. No meu dia a dia pegando ônibus pra ir à escola eu olhava outras meninas e me sentia um E.T, me sentia extremamente sozinha, passei a me isolar das amigas e amigos pra não correr o risco de chegar no assunto “sexo” nas conversas. Ninguém entendia meus desabafos.

Primeira vez que lí sobre os sintomas da Vulvodínia

Em 2014 encontrei sobre vulvodínia na internet quando pesquisei os sintomas que eu sentia, vi que era algo difícil de ser diagnosticado e imaginei que seria caro um tratamento e desisti ali mesmo. Meu ex namorado buscou e mandou e-mail para minha fisioterapeuta que respondeu e encorajou que eu marcasse uma avaliação. Marcamos e levei minha mãe que também sofria de me ver sofrendo sem nenhuma solução. Nessa consulta eu fui entendida e acolhida, nem acreditei quando alguém acreditou em todas as minhas palavras. Nesse ano comecei o tratamento e me senti menos sozinha, passei a conversar mais sobre esse assunto com as pessoas, mas ainda me sentia muito diferente. 

Tratamento com ginecologista especializada em Vulvodínia

Em 2015 fui a uma ginecologista especializada em dor vulvar que também me acolheu e com a medicação melhorei 90%, também mudei de fisioterapeuta por indicação da médica (por elas trabalharem em conjunto na época) e hoje tenho essas 3 profissionais que eu tanto admiro e agradeço por existirem na minha vida! Nesse ano passei a me aceitar melhor, conheci muitas mulheres com vulvodínia e pude trocar experiências e minhas dores com elas.

Dor na relação, relacionamentos e a experiência de ser mãe

No ano de 2016 terminei meu namoro e abandonei os tratamentos porque eu já não aguentava mais tanta cobrança e queria um tempo sem me preocupar em ter que transar. Meu relacionamento me causou alguns traumas e posso falar sobre isso aqui em outro post. Me senti finalmente livre, conheci meu atual namorado (quase marido) e tudo rolou normalmente. Consegui ter uma vida sexual normal e sem dor, senti prazer verdadeiro pela primeira vez! Fiquei bastante tempo em remissão dos sintomas e eu nunca achei que isso seria possível comigo, eu também achava que nunca poderia ter filhos e em 2018 fiquei grávida! 

Blog para ajudar mulheres com vulvodínia

Nesse ano de 2016 elaborei meu site/blog pra ajudar mais mulheres que passam por isso sozinhas e lancei ele em 2017. Eu descobri que precisava me aceitar e aceitar a vulvodínia pro tratamento fluir melhor, aprender a me amar e que todos tem algum problema e precisamos saber lidar com eles da melhor forma, assim como a vulvodínia. 

Hoje ainda sinto um pouco das dores, as vezes não consigo ter relação, mas é bem menor do que antes. Fiz fisioterapia no pré e pós parto, no pré pra tentar ter parto normal (mas não consegui) e no pós porque não consegui voltar a ter relação sem dor. Eu conto isso tudo lá no instagram @simeutenhovulvodinia e hoje eu vivo uma vida normal, as vezes sinto dores se eu me alimentar mal, antes da menstruação e se eu passar por algum estresse. Raras vezes não consigo ter relação sexual, mas lidamos bem com isso e quando temos sinto sempre muito prazer! 

Amanda Brites. Autora do Blog Sim, eu tenho vulvodínia.

Essa foi minha história resumida, vocês se identificaram? Posso voltar aqui e falar sobre outros assuntos relacionado a vulvodínia! 

Segue lá meu instagram que dou algumas dicas do que funcionou comigo e pode te ajudar também @simeutenhovulvodinia e dá uma olhadinha no site https://simeutenhovulvodinia.wixsite.com/blog

Amanda Brites

 

 

“Gostaria de agradecer mais uma vez e registrar minha admiração por você Amanda, muito bom contar contigo nesse projeto de informar e ajudar outras mulheres. Assim como eu disse para a Israeli do @diariodomeuvaginismo_, a busca de informação e identificação é o primeiro passo para o tratamento, o encorajamento e o acolhimento que vocês estão proporcionando para essas meninas é mais importante que qualquer conduta profissional. Muito Obrigada!”

Dra Isabel Fonseca

Dra. Isabel Fonseca

  • Fisioterapeuta Pélvica
  • Responsável pelo setor de Fisioterapia Pélvica Feminina da Clínica Urobecken
  • Membro da Associação Brasileira de Fisioterapia na Saúde da Mulher (saiba mais sobre a dra Isabel)

Se você quiser saber mais sobre Vulvodínia, Vaginismo e Dispareunia acesse outros artigos: 

Diário do Meu Vaginismo: Um relato pessoal sobre Dor na Relação

Vulvodínia: Sintomas, Causas e Tratamento

5 principais dúvidas das mulheres que sentem dor durante a relação sexual

O que é Vaginismo e Qual o Tratamento?

Vaginismo: 3 Técnicas da Fisioterapia Pélvica que você deve Conhecer

Como usar os Dilatadores no Tratamento de Vaginismo?

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