Você sabia que o vaginismo é uma das principais causas de dor durante a relação (dispareunia) entre mulheres jovens?
Ao contrário do que muitas mulheres acreditam, a dor na relação não é um sintoma muito raro, sendo um dos principais motivos de mulheres jovens procurarem tratamento nas clínicas especializadas em fisioterapia pélvica
Para entender o que é vaginismo, suas causas e sintomas, bem como o tratamento indicado, reunimos as principais informações sobre a disfunção. No final deste artigo introdutório, disponibilizamos matérias mais específicas com técnicas utilizadas no tratamento. Acompanhe a seguir.
O que é vaginismo?
O vaginismo é classificado como uma disfunção sexual feminina. O distúrbio provoca contrações involuntárias dos músculos presentes no assoalho pélvico, os quais circundam a vagina.
A contração muscular nada mais é do que uma resposta do corpo a situações de ameaça, ainda que inconscientes, bem como a estímulos de dor. Como resultado, a vagina “fecha” e qualquer tentativa de penetração é extremamente dolorosa e difícil para a mulher, seja do pênis ou de outros objetos, como absorvente interno, aplicador de pomada e espéculo vaginal.
Descrito há mais de cem anos, o vaginismo afeta mulheres de todo o mundo, embora o número de diagnósticos ainda não seja o ideal em razão de fatores culturais, socioeconômicos e religiosos.
Quais são os sintomas?
O sintoma mais evidente do vaginismo é a dor durante a relação sexual, que pode ou não ser acompanhada de queimação e ardência. Entretanto, mulheres que sofrem com essa disfunção também podem relatar outras condições, como náusea, taquicardia, sudorese e dispneia, assim como medo e ansiedade.
Além do desconforto durante a penetração, a qual se torna impossível em muitos casos, a mulher pode sentir dificuldade para realizar exames ginecológicos. O diagnóstico da disfunção deve ser feito através da história clínica e do exame físico, já que não existe um exame complementar ou de imagem específico para isto.
O que causa o vaginismo?
Não existe uma causa única para o vaginismo, mas sim um conjunto de fatores físicos e psicológicos que levam ao desenvolvimento de um ciclo doloroso. 
Podemos dizer que este ciclo pode ter origem em uma causa física ou psicológica. Vamos exemplificar dois exemplos distintos para facilitar:
1. Origem em uma causa Física:
Imagine a dor inicial devido à uma característica do próprio corpo feminino como lesões na vagina ou períneo, vulvodínia e atrofia vaginal por exemplo. Como resposta à essa dor, a mulher involuntariamente passa a realizar contração da musculatura da região do assoalho pélvico como um mecanismo de defesa só que essa resposta aumenta a dor inicial e potencializa o ciclo.
2. Origem em um causa Psicológica:
Por outro lado, existem mulheres que podem ter características psicológicas como causa inicial do ciclo, como abusos sexuais, exames ginecológicos traumáticos, relação forçada, repressão da sexualidade, educação rígida e religiosa etc. Em resposta à essas experiências a mulher realiza a contração involuntária da musculatura do assoalho pélvico como mecanismo de defesa e isso causa dor, essa dor causa ainda mais tensão e contração involuntária potencializando o ciclo da dor.
Mesmo em casos de origem psicológica a repetição das contrações musculares involuntárias pode causar alterações(físicas) no tônus muscular da região.
Existe tratamento para vaginismo?
A boa notícia para as mulheres diagnosticadas com vaginismo é que existem tratamentos eficazes. Estes, no entanto, devem ser acompanhados por profissionais que dominem o tema a fim de evitar que o quadro se agrave ainda mais.
O principal tratamento utilizado em mulheres com vaginismo é a fisioterapia pélvica. Uma fisioterapia bem diferente da convencional e especializada na musculatura do assoalho pélvico. Respeitando os limites da mulher e avançando conforme o progresso que ela apresenta, as sessões promovem relaxamento, alongamento e conscientização muscular, contribuindo para o alívio da dor e diminuição dos sintomas durante a relação.
Vale ressaltar que o acompanhamento psicológico também é recomendado, principalmente para mulheres que identificam alguma experiência negativa ou marcante como origem do sintoma.
Assim, se você sente dores e desconforto durante a relação sexual ou exames ginecológicos, procure ajuda. Converse com sua ginecologista, esse sintoma é mais comum do que você pensa e tem tratamento. Eu estou a disposição para ajudar nas suas dúvidas nos comentários ou através do whatsapp.
Aqui estão os artigos disponíveis com as principais técnicas de fisioterapia pélvica no tratamento de vaginismo. É só clicar em um dos links:
Como usar os Dilatadores no Tratamento de Vaginismo?
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Dra Isabel Fonseca
Fisioterapeuta Pélvica, Diretora da Clínica Urobecken e Membro da Associação Brasileira de Fisioterapia na Saúde da Mulher. (saiba mais sobre a Dra Isabel)
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