Considerada uma “doença silenciosa”, a endometriose afeta cerca de 6 milhões de brasileiras, conforme a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE).
Desde a manifestação dos primeiros sintomas até o recebimento do diagnóstico, a mulher leva, em média, oito anos, segundo a SBE. Fortes cólicas e dor durante as relações sexuais acabam sendo naturalizadas, pois muitas mulheres acreditam que sentir dor é normal.
Confira, neste texto, o que é a endometriose e como cuidados simples e não cirúrgicos, como medicações e fisioterapia do assoalho pélvico, podem ajudar no tratamento da doença.
O que é endometriose?
Trata-se de uma doença ginecológica crônica que atinge principalmente mulheres em idade reprodutiva (de 20 a 40 anos). Caracteriza-se pela presença da membrana que reveste a parede uterina, o endométrio, em outros órgãos.
Todos os meses, a mulher elimina esse tecido junto com a menstruação. Na endometriose, esse tecido, em vez de ser eliminado, migra, por meio da corrente sanguínea para outros órgãos como ovários, intestinos, bexiga, apêndice e vagina.
Quais as causas?
Ainda não há um consenso sobre as causas da endometriose, apesar de vários estudos indicarem algumas teorias.
Um delas é a Teoria de Sampson (ou teoria da menstruação retrógrada). Ela afirma que a doença é provocada por células do endométrio que, em vez de serem eliminadas com a menstruação, retrocedem por meio das tubas uterinas e chegam à pelve.
Como a menstruação retrógrada afeta quase 90% das mulheres, mas um número consideravelmente menor tem endometriose (de 10% a 15%), outros fatores têm sido considerados. Entre eles estão:
– estresse;
– ambiente;
– predisposição genética;
– identificação de fatores imunológicos.
Neste último, como o sistema imunológico de algumas mulheres não consegue destruir as células do endométrio que retrocederam, isso explicaria, em parte, por que algumas desenvolvem endometriose e outras não.
Principais sintomas
A endometriose caracteriza-se pelos seguintes sintomas:
– fortes cólicas menstruais (dismenorreia)
– dor pélvica crônica
– dor nas relações sexuais (dispaurenia)
– alterações intestinais (sangramento nas fezes, distensão abdominal, constipação)
– infertilidade
Buscando tratamento
A endometriose é uma doença crônica que deve ser acompanhada durante toda a vida reprodutiva da mulher. Ela pode ser trata cirúrgica ou clinicamente.
A cirurgia é recomendada para pacientes em que o tratamento clínico for considerado ineficaz ou contraindicado. O objetivo é a remoção completa de todos os focos de endometriose. É realizada principalmente por videolaparoscopia.
O tratamento clínico, ainda que não ofereça a cura ou a eliminação das lesões, é bastante eficaz no controle da dor pélvica.
A Fisioterapia Pélvica é um dos principais recursos para a diminuição da dor pélvica relacionada à endometriose
Pode ser ainda necessário o uso de medicações, como hormônios e anti-inflamatórios, além de condutas terapêuticas como a adoção de uma alimentação saudável e diminuição do estresse.
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Dra Isabel Fonseca
Fisioterapeuta Pélvica, Diretora da Clínica Urobecken e Membro da Associação Brasileira de Fisioterapia na Saúde da Mulher. (saiba mais sobre a Dra Isabel)
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