Há algumas semanas, acompanhamos uma série de reportagens e depoimentos sobre vaginismo e vulvodínia nos meios de comunicação, incluindo depoimentos de pacientes e profissionais no Fantástico. Por isso, preparamos um artigo com algumas possíveis dúvidas de mulheres com dor durante a relação sexual, além de esclarecimento de como a fisioterapia pélvica pode ajudar nestas situações.

1) “Tenho dor na relação sexual, é vaginismo? vulvodínia?”
É muito importante que mulheres que apresentam dor na relação sexual conversem com seu(sua) ginecologista sobre este sintoma. A partir desta queixa, o médico irá excluir possíveis outras causas de dor para investigar o diagnóstico e tratamento correto para cada paciente.
Assim, algumas perguntas são muito importante neste momento:
“a dor acontece somente na penetração ou também em outras situações?”
“você sente dor desde a sua primeira relação ou passou a sentir em um determinado período?
“essa dor é em queimação? ardência?”
“você tem dificuldade em realizar exame preventivo (Papanicolau)?”
Estes são apenas alguns questionamentos necessários para o diagnóstico. Nesse contexto, é de extrema importância uma avaliação completa da paciente, incluindo aspectos clínicos, físicos e sociais.
2) Qual a diferença entre vaginismo e vulvodínia?
O VAGINISMO trata-se da contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico. Isso resulta em diminuição do espaço do canal vaginal, dificultando a penetração e gerando dor.
Existem diferentes “graus” de vaginismo conforme a intensidade da contração e os fatores desencadeantes desta. Enquanto algumas mulheres apresentam contração involuntária exclusivamente na tentativa de penetração durante a relação sexual, outras podem apresentar simplesmente em pensar que algo toque seu corpo ou sua vagina (por exemplo no exame preventivo).
Já a VULVODÍNIA apresenta características de dor de origem nervosa, ou seja, se manifesta ao toque e normalmente associada à ardência e/ou queimação. Além disso, algumas mulheres relatam dor em situações cotidianas, tais como sentar, utilizar calças justas, realizar higiene íntima, entre outras.
As duas situações interferem na relação sexual e algumas vezes podem favorecer o surgimento de ambas. Por exemplo, a mulher que apresenta vulvodínia (dor de origem nervosa) pode desenvolver vaginismo (contração involuntária da musculatura) como consequência da dor que sente toda vez que é tocada.
3) O vaginismo é somente psicológico?
Estudos mostram que o vaginismo é mais comum entre mulheres que apresentam alguma questão social e/ou psicológica em relação ao corpo ou ato sexual, tais como mulheres que sofreram repressão educacional ou religiosa sobre o tema ou até mesmo história de abuso sexual. No entanto, este fato não quer dizer que mulheres que nunca passaram por estas experiências não possam desenvolver os sintomas .
É um grande problema escutarmos de algumas pacientes frases como:
“Alguém comentou que eu tenho que tomar um vinho, relaxar…”
Não é tão simples assim!
Felizmente estas recomendações são cada vez mais raras em virtude da atual divulgação do tema o que contribui para o conhecimento dos sintomas e seu tratamento entre pacientes e profissionais da área da saúde.
Dessa forma, é muito importante que a ginecologia, a fisioterapia pélvica e a psicologia estejam atentas à um ciclo muito comum na dispareunia:
dor na relação – tensão/ansiedade – contração involuntária – mais dor na relação – mais tensão/ansiedade – mais contração involuntária….
Mesmo em casos de origem psicossocial e que demandam acompanhamento psicológico específico, a fisioterapia pélvica tem papel importante no tratamento da dispareunia (dor na relação sexual). Assim, ela tem o objetivo de quebrar este ciclo através da diminuição da dor e tratamento dos possíveis danos musculares causados pelos sintomas (contraturas, pontos de gatilho…).
4) “Fui diagnosticada com vulvodínia, devo tomar algum cuidado especial?”
Além de realizar a fisioterapia pélvica como parte do tratamento, recomendamos alguns hábitos diários, tais como:
dar preferência para calcinhas de algodão
evitar sabonetes íntimos com a substância Propilenoglicol
utilizar óleo de coco ou girassol como lubrificantes para facilitar a penetração
5) “De que forma a fisioterapia pélvica pode ajudar?”
A fisioterapia pélvica dispõe de diversos recursos para o tratamento dos sintomas causados pela vulvodínia e vaginismo. Os principais objetivos do tratamento são a analgesia (diminuição da dor) e o relaxamento da musculatura do assoalho pélvico.
Entre os recursos disponíveis podemos destacar:
massagem perineal: a massagem perineal é parte importante do tratamento e tem como objetivos, alongar e relaxar a musculatura do assoalho pélvico e região. Normalmente esta musculatura possui pontos de maior sensibilidade e dor em virtude das contrações involuntárias.
eletroterapia: em alguns casos, a eletroterapia é necessária para diminuir a dor local e permitir a utilização de outros recursos
biofeedback: é importante para educar a paciente de como relaxar a musculatura. Este aparelho reproduz um gráfico no monitor onde a paciente pode acompanhar em tempo real a contração/relaxamento da musculatura. Nos casos de dor e contração involuntária muito intensa, é ideal utilizar o Biofeedback Eletromiográfico já que este pode ser utilizado com eletrodos externos, ou seja, não há necessidade da introdução do eletrodo no canal vaginal.
dilatadores: diferente do que o nome sugere, os dilatadores não dilatam literalmente o canal vaginal e sim promovem relaxamento e alongamento da musculatura de forma progressiva, o que facilita a evolução da paciente no tratamento tornando a penetração mais confortável durante a relação sexual.





