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Diário do meu Vaginismo – Depoimento de uma História Real Sobre Dor na Relação

O desafio de falar sobre dor na relação ou compartilhar depoimentos sobre vaginismo é uma das grandes dificuldades encontradas por mulheres em busca de informações sobre o que estão sentindo. E como é bom não se sentir sozinha! Por isso, hoje abrimos o nosso espaço para o depoimento de uma mulher de muita força que decidiu compartilhar sua história para ajudar outras mulheres: Israeli, autora do  “Diário do meu Vaginismo”.

Depoimento de mulheres com vaginismo. Diário do meu vaginismo. depoimento sobre a história real de uma mulher com dor na relação e dispareunia.

“Olá! Estou meio que sem saber por onde começar a escrever, e me perguntando porque realmente decidi fazer um perfil sobre isso. 

Por que falar sobre Vaginismo?

Falando no “porquê” do perfil, descobri que como a palavra e o assunto é um verdadeiro tabu, não existe muitos perfis que retratem sobre isso, principalmente no meio evangélico.

Quero deixar claro que não sou médica ginecologista e nem fisioterapeuta pélvica, somente quero dividir minha experiência e conhecer também a experiência de quem se sentir a vontade para dividir comigo. 

O início da minha história sobre Vaginismo

Minha história começa há quatro anos atrás, no dia da minha primeira noite com meu marido que foi um desastre, para não dizer outra coisa. 

Preciso dizer que cresci em um lar cristão, e que falar sobre sexo, principalmente com a pessoa mais próxima a mim naquele momento, aconteceu apenas uma vez, cinco minutos antes de eu ir para o salão e ter o dia de noiva (sendo que eu por algumas vezes procurei está pessoa dizendo que precisava da ajuda dela nesta área). E  sexo para mim, só depois do casamento, ou seja, eu tinha zero experiência de conhecimento na área.

Minha primeira relação

Na época, antes de casar procurei sobre vídeos “sérios “ de como era a primeira vez e tudo que vi foi: a primeira vez para mulher “pode” ser um pouco incômoda.

Sabia de algumas coisas que pesquisei, então confiei, respirei fundo e fomos para o hotel. Sim, estávamos cansados pela semana corrida e o dia mais corrido e cansativo ainda, sem falar na festa de casamento onde foi maravilhosa, mas tirou nossos últimos suspiros de energia. 

A vontade de nos conectar e conhecermos nesta área era tanta, que esquecemos todo o cansaço e focamos um no outro, mas infelizmente para mim, não foi o suficiente.

Foi dolorido, sem prazer, sem orgasmo, foi literalmente uma faca entrando dentro de mim, mas aguentei a dor. Ele perguntou se havia sido bom, eu disse: foi bom, claro! (menti)

Fomos para nossa mini lua de mel e todas as noites não conseguimos ter penetração, penso que foi agitação, a ansiedade, a euforia. Voltamos para nossa casa.

Na primeira noite em casa estava sinceramente mais relaxada, e conseguimos ter a tal da penetração, mas, com dor.

Se passou um ano, um ano e meio e toda a relação sexual estava sendo do mesmo jeito, eu, fingindo prazer para agradá-lo, pois achava que era frescura minha e que eu era chata, aguentei. 

Como tudo isso afetou meu psicológico 

Infelizmente, em 2017 acabei entrando em depressão. Precisei ser internada em uma clínica psiquiátrica por 21 dias. Saindo de lá, diariamente eu tomava 8 comprimidos, com isso, minha libido morreu junto. Relatei a minha psiquiatra que eu não estava tendo interesse sexual por meu marido, ela então trocou meus medicamentos e disse para eu ir “tentando” que uma hora minha libido voltaria. Mas daí você pensa: porque eu não relatei do meu desconforto na hora da penetração? Como disse, naquele momento eu achava que isso era frescura minha.

Passou-se um tempo perguntei há duas pessoas próximas que tinham uma vida sexual ativa a algum tempo já, se era normal sentir esse tal de desconforto. Me relataram que por eu ter casado virgem isso era normal. Me agarrei nisso com toda a minha força, sonhando com o dia que não teria mais dor. Não aconteceu! Nunca chegou esse dia até então.

Aconteceu que minha mente, sempre que pensava em sexo, não pensava primeiramente mais no prazer e sim primeiro na dor. Então me afastei do meu marido nesta área da nossa vida conjugal.

A primeira vez que ouvi falar sobre Vaginismo

Em 2019, em um domingo à noite, eu e meu marido fomos jantar na casa de meus pais e começou a passar na TV uma matéria sobre o tal do vaginismo. Pensei comigo: que droga é essa? Sentei no sofá sem chamar muito a atenção. A entrevistada relatou coisas em que várias delas eu me identificava. Gritei dentro de mim chorando! Chegando em casa pesquisei sobre o assunto discretamente, e pensei: será?

Contei ao meu marido, e procrastinei procurar ajuda porque ainda pensava ser frescura minha e porque eu era chata. Chegou 2020, com ele veio o desmame dos ansiolíticos que fiz, pois queria minha libido de volta. Minha psiquiatra em todo estes três anos de tratamento nunca levou meu caso a sério, tudo o q ela fazia era trocar os medicamentos por um mais caro. Eram oito medicamentos diariamente e um deles custava R$96,00 a caixinha com 30 comprimidos. #euquelute

Levei para ela vários medicamentos para tratar a falta de desejo sexual, ela só olhava e dizia: com o tempo vai passar, vai “tentando”. Ela nunca, NUNCA me pediu um exame hormonal.

O ano de 2019 foi bem difícil para nós e decidimos que em 2020 iríamos tirar uns dias longe de tudo e de todos para desestressar e nos dar mais uma chance no casamento. Viajamos e foi bom, muito aliás. Rimos e brincamos um monte um com o outro, mas na hora de ter algo romântico, eu já travava.

Então, fiz o desmame em março crendo fielmente que minha libido iria voltar, dar um oi. Nunca voltou.

Tensão no casamento por causa da dificuldade na relação

A tensão no meu casamento estava horrível. Nossa relação sexual acontecia de 10, 15, 30 dias. No dia 04 de junho foi a nossa última transa com penetração. Eu chorei de dor mas chorei mais ainda de frustração. Me perguntei: porque eu? Porque sempre meu corpo, minha mente não funciona? Sempre alguma coisa da errado.

Em um dia, em que estava extremamente sensível, chorei no sofá da minha casa e relatei a umas pessoas o que estava acontecendo. Naquele dia, eu precisava de um abraço, de alguém que tivesse empatia comigo, com minha dor, mas não recebi. Contei que meu casamento estava por um fio, contei do meu desconforto na hora da penetração, e tudo que recebi foi: vai “tentando”, faz isso, faz aquilo. Me frustrei MUITO naquele dia, eu só queria um abraço, ser acalmada. Me contaram também seus problemas, e a sensação que tive foi: relaxa, meu problema é maior do que o seu.

Meu marido é cabeça quente, sempre foi assim desde criança. Falou em separação três vezes. Nunca isso passou por minha cabeça. Hoje, ele faz tratamento com a terapeuta para tratar esse lado de falar as coisas sem pensar nas consequências. Quando penso nisso, meu coração fica entristecido, mas sei que ele falou da boca pra fora, pois caso contrário não estaria pagando o tratamento para mim, pois só ele trabalha.

Quase nos separamos, mas apesar de tudo, de todas as brigas que era por motivos bobos, colocamos nossa sentimento acima de tudo e finalmente procuramos ajuda.

Procurando ajuda com Ginecologista para tratar Vaginismo 

Chegando no consultório relatei tudo. Toda a minha história. Minha querida ginecologista com todo o amor falou: querida, porque aguentou isso por tanto tempo, 4 anos! Desabei chorando. Ela me acalmou e disse que a minha luta, agora também era uma luta dela. 

Fizemos o exame de toque. Tenho calafrios só de lembrar. Lágrimas escorreram pela dor. Eu gemi, chorei e gritei lá no fundo da minha alma.

Fiz os exames hormonais e de vitaminas, pois perdi 6kg em duas semanas. Minha testosterona livre e a biodisponível nem existem no meu corpo.

Faz duas semanas que iniciamos o tratamento, inclusive com acompanhamento terapêutico.

Vaginismo tem cura, e isso me alegra!

Depois de um tempo percebi que aquelas pessoas que não me estenderam a mão quando pedi socorro, não foi nem por culpa delas e sim, porque nem elas sabiam deste tal do “vaginismo”. Hoje, depois de conversas e empatia por mim e por elas também  (precisei entender isto) estamos bem e isso é muito importante, pelo menos para mim, para minha caminhada. Estaria totalmente perdida se não tivesse o apoio do meu marido, apoio da minha família e de minhas amigas que me acolheram tão bem por vários momentos em minha vida. Sou verdadeiramente grata!

Se você continuou até aqui, saiba que estamos juntas. Vou partilhar todo esse tabu que estou vivendo com vocês, e quem quiser partilhar sua história comigo, ficarei muito grata.

Sei que Deus está no controle de todas as coisas, Ele é meu abrigo e meu sustento, colheu cada lágrima minha e vem me amparando.

Um abraço a todas, estamos juntas! “

Israeli - Diário do meu Vaginismo. Depoimento de uma história real sobre dor na relação

Israeli Autora do “Diário do meu Vaginismo” . (clique aqui para acessar o perfil do instagram @diariodomeuvaginismo_)

Esse foi o relato pessoal da Israeli, uma mulher que descobriu que tinha Vaginismo. Se você também está buscando mais informações sobre (dispareunia) dor na relação, Vaginismo ou Vulvodínia acesse mais artigos:

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